Buscando uma coisa e descobrindo outra
Luís Aquino
Como requisito para aprovação na disciplina Prática de Ensino de Língua Inglesa I, participei de um estágio de observação no qual pude ter um contato inicial e parcial com as atividades de um professor em sala de aula e sua interação com os alunos. Observei apenas dois professores, os quais atuavam no ensino fundamental e médio. Reconheço que mesmo a carga horária mínima exigida é muito pouco para se ter uma idéia daquilo que realmente acontece em uma sala de aula mas uma coisa me intrigou; parecia que os professores não tinham um direcionamento preciso de suas atividades. Era como se tudo estivesse acontecendo de uma maneira não definida, como se o planejamento não tivesse um objetivo suficientemente claro, como se eles não tivessem se perguntado o que realmente queriam de seu trabalho, para quê realmente estavam em sala de aula. Concluí nessa observação que os professores não tinham consciência de seu direcionamento ao ensinar, eles não compreendiam claramente qual era a sua concepção de língua e por isso ensinavam de uma maneira imprecisa, simplesmente cumprindo um ritual determinado e preestabelecido pelo sistema.
Até aquela ocasião eu pensava que já sabia qual era o meu direcionamento, pretendia enfatizar o aspecto leitura e acreditava que era comunicativo. Naquele momento começou a surgir, inconscientemente, a pergunta que viria aflorar na segunda fase de meu processo de aprendizado de ensino de língua inglesa; “Qual é o meu conceito de língua?”.
Com a Prática de Ensino II veio então a outra fase, agora eu seria o professor. Para isso eu deveria elaborar um projeto de mini-curso e ministrá-lo para uma dada clientela. Como já havia decidido enfatizar a leitura, resolvi montar um curso de leitura voltado para alunos que iriam prestar vestibular. “Quais as implicações da aplicação destas estratégias de leitura na construção de leitores em língua inglesa?” Seria o questionamento de minha pesquisa, mas uma surpresa me estava reservada...
Comecei a pesquisar literatura que pudesse me auxiliar na elaboração do projeto e dentre os consultados dois livros me chamaram a atenção; “Leitura de textos em inglês: uma abordagem instrumental”, de autoria de uma equipe de mestrandos da Universidade Federal de Minas Gerais e “O Domínio da leitura em inglês: a reconstrução crítica de textos” de Nádia Oliveira. Minha formação militar me predispõe a seguir modelos estabelecidos, simpatizei com a maneira como o assunto foi abordado no “Leitura de Textos...” e resolvi usá-lo como base do meu projeto com alguns ajustes e adaptações.
Uma das coisas que me chamou a atenção nessa obra é um anexo contendo formação de palavras por prefixação e sufixação. Sempre usei, embora de maneira inconsciente, a estratégia de inferir significados num contexto pela identificação das classes gramaticais das palavras e esse anexo clareou meu entendimento. Agora pude perceber de maneira consciente por que em minhas leituras scanning eu sempre passava por alto algumas palavras cujo significado desconhecia; eram adjetivos ou mesmo advérbios que eu reconhecia como tais e só procurava seus significados quando percebia que isso era muito importante para a compreensão. Entendi que seria essencial incluir no meu mini-curso as informações necessárias para que os alunos pudessem eles mesmos reconhecer de maneira automatizada a classe gramatical de uma palavra ao escanear um texto.
Selecionei 17 textos, a maioria da referida obra, e alguns outros que mostraram estar de acordo com meus objetivos e preparei o anexo de maneira a ser ele mesmo um mini-curso dentro do projeto. Escolhida a escola e os alunos, começamos as aulas e aquilo que eu pretendia que fosse um curso direcionado ao aspecto comunicativo da leitura acabou tomando outro rumo.
No decorrer do curso uma coisa começou a ficar evidente, eu tentei ir para um lado, mas o caminho tomado me levou para outro e aí veio a surpresa; minha pergunta de pesquisa acabou ficando sem importância pois encontrei uma resposta muito mais importante mesmo sem formular a pergunta.
Era “elementar meu caro”, eu acabei descobrindo que na realidade meu direcionamento é estruturalista. É por isso que eu prefiro seguir modelos, eles já têm uma estrutura onde posso colocar as idéias. Foi por isso que decidi colocar as informações sobre classe de palavras no programa do mini-curso elas estão diretamente relacionadas à estrutura da língua. Minha maneira de conduzir uma aula me mostrou que dou atenção às estruturas onde se pode montar a comunicação. Creio que agora posso com mais tranqüilidade e segurança preparar minhas aulas, definir objetivos e prever quais resultados esperar.
Porto Velho, out 2001
Luís Honório Rodrigues Aquino
Acadêmico do último período do Curso de Letras/Inglês na Universidade Federal de Rondônia

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