20 de dezembro
Saída de Porto Velho às 8 da manhã. Aparentemente tudo bem com a máquina, até o momento do primeiro abastecimento, o consumo foi de 8km por litro. Prossigo até Ariquemes e paro em uma oficina. O conserto vai até depois do meio-dia. Após uma limpeza e revisão completa do carburador o mecânico garante um consumo de, “no mínimo, 12km/l” prosseguimos viagem. Em Ji-Paraná, ao reabastecer noto que o consumo anda não está bom(10km/l); procuro outro mecânico e ele acha válvulas presas e ponto desregulado, gastamos o resto da tarde e outra vez a garantia de menor consumo (“uns 12 ou 13”). Passamos a noite no Hotel Fürmann, gastei o dia todo para percorrer apenas 440km.
21de dezembro.
Saímos lá pelas sete debaixo de uma chuvinha fina, equipados com macacões impermeáveis. O primeiro sufoco acontece, percebo que a gasolina está se acabando e o próximo posto está abandonado. Mais um... idem. Combustível por um fio, começo a planejar como pedir para alguém me rebocar ou como pedir uma carona até o próximo posto. Olhando até o horizonte não se divisa nenhum sinal de civilização, oro a Deus para que não me desampare e Ele se revela o Fiel de quem fala a Bíblia, ao final de uma íngreme subida avisto um posto, o combustível acaba naquele exato instante... Com uma alegria infantil pego uma garrafa de refrigerante que havíamos enchido de água para beber, esvazio-a e ando até a bomba para trazer o combustível que levaria Black Trekker até o abastecimento. Nessa abastecida verifico que o consumo não se alterou, permanece 10km/l, o frentista do posto me adverte para um vazamento de óleo e após verificar constato que é do câmbio. Mais oficina, desta vez para trocar a coifa da transmissão. Dormimos em Pontes e Lacerda, no MT (pela previsão deveríamos ter ido até Cáceres, uns 250km à frente). O preço dos hotéis está pela hora da morte (R$ 40,00 por casal), conseguimos um em frente à Rodoviária por 30,00. À noite assisto o show do Roberto.
22 de dezembro.
Mais uma parada em oficina, não me conformo com o consumo: um motor 1300cc que leva um fusca, deveria gastar muito menos para levar um triciclo que é muito mais leve. Descobrimos uma vela frouxa, é necessário um adaptador para reparar a rosca espanada. Ajusta daqui, aperta lá e outra vez a garantia de melhorar, partimos lá pelas 11 da manhã. A viagem tem sido agradável até agora; belas paisagens, vento na cara, sensação de liberdade, um barato... Onde quer que passamos despertamos a atenção de todos, “puxa nunca tinha visto uma moto dessas... deve ser gostoso andar “nisso”... muito bonita... é caro?”.
Andamos até Jaciara, uns 200km depois de Cuiabá. Procurar hotéis já está se tornando uma rotina o preço continua 40,00. Dormimos no Hotel Toquinho, ótimo, fica resolvido que na volta dormiremos ali de novo e que visitaremos a cidade de Dom Aquino (uma antiga vontade não realizada ainda) que fica a uns 20km de Jaciara.
23 de dezembro.
Andamos o dia todo, decido não me incomodar com o consumo por enquanto e aproveito a viagem. Sem chuvas pelo caminho, a paisagem do MT neste ponto é muito agradável, plantações de soja até onde a vista alcança, este nosso Brasil é um gigante mesmo. A partir de Cuiabá começamos a encontrar tráfego de carretas e a atenção ao trânsito redobra. Não é fácil andar com uma fila de até 10 carretas à frente, a adrenalina atinge níveis estratosféricos nas ultrapassagens mas o “Black Trekker” (Viajante Negro de Jornadas Longas e Difíceis, nome que decido aplicar a partir de agora ao triciclo) revela-se um guerreiro audaz e eficiente. A rodovia, a partir de Cuiabá, tem um trilho formado pela rodas das carretas que deixa a estrada com dois sulcos em cada faixa, isso torna extremamente difícil a condução deste tipo de veículo pois as rodas traseiras acomodam-se uma em cada sulco e a dianteira fica oscilando entre um e outro comprometendo enormemente a estabilidade. Com a ajuda do Todo Poderoso, aos poucos, vou me adaptando e pegando jeito. As ultrapassagens começam a ficar mais “emocionantes” para dizer pouco. Dormimos em Nova Alvorada no MS onde chegamos à noite por volta das 2100h, depois de um terrível susto quando, ao aproximar de uma ponte a uns 100Km/h Black Trekker oscila violentamente nos sulcos da estrada e só por Deus não caímos no rio. O hotel é um velho conhecido de velho tempos mas o preço já chegou aos novos.
24 de dezembro.
Véspera de Natal e Sábado, vamos à igreja (somos Adventistas do Sétimo Dia). À tarde continuo a viagem com a decisão de chegar a Foz do Iguaçu ainda a tempo de celebrar o Natal com a família. Chegamos a Guairá, divisa do MS com o PR, lá pelas 6 da tarde e descobrimos que o pior trecho da viagem iria começar. O trecho Guairá/Marechal Rondon de apenas 60km está completamente destruído e a travessia leva mais de duas horas. É nesse ponto que resolvo batizar o triciclo de Black Trekker. A palavra “trek” significa viagem longa e difícil e ele se mostra mais uma vez muito eficiente. Chegamos a Mal. Rondon lá pelas 9 da noite e a dificuldade agora é arranjar combustível, todos os postos estão fechados. Andamos até Santa Helena onde finalmente encontramos um posto 24h. abasteço, conserto o fusível da iluminação traseira e parto para a última etapa, são dez da noite. Passo pelo pedágio às onze e fico furioso ao ser cobrado preço de automóvel.
Chegamos à casa de meu sogro às 11:30, a família reunida, uma alegria só, nossa chegada acaba se tornando uma festa a mais. Aí em baixo a primeira foto da jornada, tirada logo ao chegar com a câmera de meu cunhado, essa aí é a mulher dele, a outra é a mulher de um sobrinho.
Continuarei postando mais detalhes da viagem nas próxima horas, a partir de agora com fotos.