janeiro 20, 2006





9 de janeiro.
Segunda-feira, manhã de tempo agradável para (re)iniciar uma viagem... embarcamos a bagagem, abraçamos os parentes, a Cris chora, e lá vamos nós. Paro numa loja de motocicletas para comprar um novo par de luvas e dois pares de polainas impermeáveis para os sapatos. Desta vez estou levando um galão de 5l com gasolina de reserva para evitar surpresas desagradáveis. No posto de gasolina à saída da cidade procuro me informar de um caminho alternativo para o trecho Mal. Rondon/Guairá, que foi o pior na viagem de vinda, e descubro que NÃO EXISTE ALTERNATIVA. Oro para que não sejamos revistados em nenhum posto da Receita Federal (por causa do notebook) e dou uma checada nos documentos... mais uma surpresa (terrível), a minha CNH está vencida desde 15 de dezembro!!! Viajei todo este tempo com a carteira vencida... Agradeço a Deus por não ter sido abordado nem uma vez e peço que em Sua misericórdia permaneça assim.
Uns 5km depois, dois policiais rodoviários... frio na barriga...eles abordam o carro que vai na frente, passo sem problemas, agradeço a Deus e dou uma buzinadinha simpática para os policiais, simulo uma continência e sigo em frente aliviado.
Este trecho da viagem havia sido percorrido à noite, agora podemos apreciar a paisagem. São muitos quilômetros margeando o lago artificial formado pela barragem da usina de Itaipu, na margem foram criados alguns balneários onde as pessoas (por um preço módico) podem acampar e aproveitar as delícias de praias artificiais muito limpas e conservadas. Decidimos parar no balneário de Entre Rios, almoçamos e ficamos umas duas ou três horas brincando na água e relaxando. Conheço o Washington. Junto com sua mulher ele está observando o Black Trekker e me mostra um álbum de fotos do seu ...triciclo... Ele também é “triciclista”, mora em Campo Grande e me conta que só não veio no seu triciclo por que não conseguiu documentá-lo em tempo, mas que está planejando uma aventura destas também. Retomamos a estrada, passamos a via crucis do trecho esburacado e chegamos a Guíra às 7:30, que no horário de verão nos dá a visão de um belo pôr-do-sol na travessia da ponte, pena que as fotos não prestaram. Chegamos a Mundo Novo às 8:00 e de cara fomos recebidos pelo Robson do Hotel Alvorada que fica na frente do hotel (a rodovia cruza a cidade e o hotel é o primeiro por onde se passa) munido de um apito chamando os candidatos a hóspede com gestos de guarda de trânsito. Negociamos o preço e o quarto ali mesmo na rua e ele nos indica o estacionamento onde fiará o “Black”. Depois de instalados vamos dar uma volta a pé pela cidade, jantamos num restaurante na calçada da rua principal e voltamos pro hotel pra dormir.












8 de janeiro.
A Neli (mulher do Fábio), que trabalha no Hotel Das Cataratas, nos leva para um passeio no Parque Nacional, vamos ver novamente as quedas d’água. O passeio é bem interessante, pena que a vazão das águas está reduzida e o espetáculo majestoso fica prejudicado. Atualmente o passeio pelo parque está mais “turístico”, o preço aumentou estratofericamente e não mais é permitida a entrada de carros articulares mas em compensação agora dispomos de confortáveis ônibus de dois andares com uma gravação que vai descrevendo o passeio. No andar de baixo tem ar condicionado e no de cima não há janelas, o contato com a natureza é mais íntimo. Almoçamos no restaurante de funcionários do hotel e depois vamos dar um “tour” pelo restante do hotel. Após a visita, embarcamos no ônibus e retornamos pra casa.
À tarde começo a ficar inquieto e sinto o impulso de retornar para Porto Velho. Comento com a Cris que estou a fim de voltar, ela meio a contragosto concorda e decido partir na segunda de manhã. À noite vamos fazer as despedidas, passo nos cunhados e depois vamos à casa do João Carlos. Ele volta a afirmar que eu sou maluco mesmo e me aconselha a trocar os pneus do triciclo que aparentam um certo desgaste. A propósito, o João comprou e reformou um jeep 1950, dêem uma espiada na foto... Nos despedimos e vou para casa arrumar as malas e dormir

7 de janeiro.
Sábado novamente, dia de descanso. Vamos à igreja no carro do cunhado, visitaremos uma igreja bem longe de casa hoje. Nesta igreja nenhum conhecido meu mas a sobrinha encontra uma amiga. Durmo à tarde e à noite vamos lanchar na lanchonete da cunhada.

janeiro 17, 2006

5 de janeiro.
Mais um dia de férias de verdade, nada a fazer, durmo à tarde e vejo King Kong à noite.



4 de janeiro.
Passo o dia em casa descansando (afinal, estou em férias), a Cris sai com a Sara. À noite vou com meu cunhado à igreja e depois eu e a Cris vamos dar uma volta. Ao parar num sinal, um senhor no carro ao lado conversa comigo num tom grave; “Seria bom o senhor colocar seu capacete, a polícia daqui é muito severa, o senhor pode acabar tendo eu triciclo apreendido” agradeço o conselho e digo que vou seguí-lo ao que ele me responde; “Faça isso...”. Essa resposta me leva a suspeitar que ele seria um policial e a partir de então decido pôr minha barba de molho, dou-me por avisado e começo a andar de capacete.




3 de janeiro.
Passo quase toda a manhã no banco; um problema está impedindo de pagar a fatura do cartão de crédito e não se pode prescindir desse facilitador em uma viagem como esta, não uso quase dinheiro vivo, é tudo na base do cartão. Problema resolvido, pagamento feito, vamos comprar a câmera. Encontro uma Concord de 3.1 megapixel, zoom ótico de 3X mais 4 de zoom digital, gosto do preço (300,00) embora depois me digam que não foi muito bom negócio, para mim foi. A partir de agora vou ter as minhas próprias imagens. Compramos uns DVDs (piratíssimos), encontro o “King Kong” que ainda nem havia estreado no cinema, uns shows de cantores e grupos em inglês (para usar e aulas), achei até um da primeira visita dos Beatles aos EUA. A Cris compra uma mala, uma Bíblia em espanhol e outras coisinhas... Bom passeio, andamos muito, voltamos cansados. À noite a Cris não quer sair, vou até a casa do João Carlos e saímos para jantar comida japonesa (a mulher dele viajou com os filhos), conversamos muito, ouvimos música e parece que já estou me habituando a voltar para casa às duas da matina.



2 de janeiro.
Paraguai... vou comprar o notebook. Já havia pesquisado marcas e preços e encontrei o que procurava; um PC Chips A535, modelo que já conhecia e tem tudo o que eu preciso. Além, é claro, de ter um ótimo preço; U$ 750,00 (acabo levando por R$ 1800,00) com maleta e tudo mais, uma belezinha. O sufoco é passar pela aduana, eu já havia observado o movimento quando passei a ponte a pé, os fiscais pareciam ter tirado o dia de folga, mas sempre é uma angústia saber que a qualquer momento eles podem decidir dar uma olhada. Peço pro vendedor colocar tudo em uma sacola e tomo o ônibus para cruzar a ponte. Estou suplicando a Deus desde ontem, o coração vai a mil... passei! Ninguém nem se moveu! Quase em transe chego ao centro de Foz e tomo o outro ônibus para a casa do meu sogro. Ótimo começo de ano... amanhã vou comprar a câmera ( essa está dentro da cota permitida e não me preocupo). O João Carlos tem um funcionário que vai instalar o sistema operacional no computador. Passo o resto do dia na base da preguiça, à noite mais um passeio e depois dormir.


1º de janeiro de 2006.
Ano novo... manhã tranqüila, vamos dar uma volta. Como resolvi ser rebelde, ando sem capacete. Parece que ninguém tem muita certeza se ele é necessário para andar de triciclo, assim nos deixam em paz (estou falando da polícia). Mas os motoqueiros parecem se ressentir e de vez em quando um ou outro me pergunta; “não tem que usar capacete para andar ‘nisso’?”. A propósito, as palavras ‘isso’ e ‘nisso’ já estão me deixando incomodado. “Isto se chama triciclo!”, respondo às vezes. Na hora do almoço, o de sempre... churrasco (depois se reclama da crise...). Durmo à tarde e à noite vamos lanchar na lanchonete de uma cunhada, ela faz um pãozinho árabe enrolado com carne moída e vegetais que é uma delícia. Depois do lanche mais um passeio e vamos dormir.






31 de dezembro.
Sábado, vamos à igreja pela manhã. É perto de casa e vamos a pé, encontro com muitos antigos conhecidos. À tarde vamos visitar o João Carlos e conhecemos o Jader, advogado amigo do João, e sua mulher. Papo vai papo vem, foi uma ótima tarde e à noite já vamos para a casa do Fábio, outro cunhado, (ele é o “parrillero”, o homem do churrasco). É claro que a “parrillada” já está em andamento. Conseguimos a muito custo levar o Vovô que não gosta de sair de casa, mas é claro tudo se consegue com uma boa conversa. Os fogos de artifício no Hotel Rafain, que é próximo dali, acabam sendo a atração da garotada que abandona o churrasco e sai em caravana para assistir. As fotos até agora são com a câmera do Fábio, pois ainda não comprei a minha.

janeiro 16, 2006




27 de dezembro.
Deixo o “Balck” na oficina e vamos dar umas voltas; Paraguai, é claro. Estou procurando um notebook e uma câmera. Na volta a Cris passa no supermercado pra comprar ingredientes para um vatapá (novidade para a família). À noite vamos dormir cedo.


28, 29 e 30 de dezembro.
Curtindo as férias, descansando, passeando e... comendo! Ô gente para gostar de comida, todo dia é uma desculpa para um churrasquinho, galinha, carne com macaheira, e teacher só aumentando a barriga. Onde passo com o “Black” é uma sensação, todo mundo para pra olhar. Quando têm oportunidade me enchem de perguntas; “Quanto custa? Foi você mesmo que fez? Deve consumir pouco, é bem leve...”. É claro que por lá existem outros triciclos, mas sempre são poucos e nunca deixam de ser uma atração. Já estamos começando a ficar conhecidos. “Ah, eu te vi ontem com uma garota (minha filha) passando em tal lugar... Você é o cara do triciclo preto...”. Gosto da popularidade mas começo a ficar preocupado, Foz é uma cidade bem insegura.


26 de dezembro.
Segunda-feira, dia internacional da preguiça, e em plenas férias, seria de esperar que se ficasse à toa. Mas não para o teacher; é claro que levanto tarde, mas já vou providenciando meus contatos com amigos para encontrar um bom mecânico que possa regular a máquina e deixá-la preparada para a volta. Passeios pela cidade, revendo amigos e alguns parentes que não haviam estado nas comemorações. Quando encontro meu amigo João Carlos, amigo de verdade e de muito tempo e que conhece as manias do professor, ele já vai perguntando:”No que é que você veio desta vez?”. Mostro o triciclo e o comentário não poderia deixar de ser outro: “Esse cara é doido mesmo. Quando é que tu vai tomar juízo?”. À noite vou visitá-lo em casa e a Denise (esposa dele) tem uma reação parecida e brinca muito com minha mulher comentando que nós somos malucos mesmo. Ficamos até tarde conversando, são quase duas da matina quando vou embora.

janeiro 15, 2006



25 de dezembro.
Dia de Natal, levantamos tarde após a festa da noite anterior e descansados da tensão da viagem. Um cunhado já está preparando o churrasco e aos poucos vai chegando o restante da família. Minha filha Sara, que havia chegado de ônibus dois dias atrás, está dando explicações sobre o triciclo para os primos e tirando fotos. Dizem que ela é a única com bom-senso na família por ter vindo de ônibus, mas eu falo que ela só não veio no triciclo por que ele tem lugar apenas para duas pessoas.
Depois do almoço o dia transcorre tranqüilo em meio à confraternização geral e à tarefa de atualizar as notícias.

Qatro semanas em triciclo

20 de dezembro
Saída de Porto Velho às 8 da manhã. Aparentemente tudo bem com a máquina, até o momento do primeiro abastecimento, o consumo foi de 8km por litro. Prossigo até Ariquemes e paro em uma oficina. O conserto vai até depois do meio-dia. Após uma limpeza e revisão completa do carburador o mecânico garante um consumo de, “no mínimo, 12km/l” prosseguimos viagem. Em Ji-Paraná, ao reabastecer noto que o consumo anda não está bom(10km/l); procuro outro mecânico e ele acha válvulas presas e ponto desregulado, gastamos o resto da tarde e outra vez a garantia de menor consumo (“uns 12 ou 13”). Passamos a noite no Hotel Fürmann, gastei o dia todo para percorrer apenas 440km.

21de dezembro.
Saímos lá pelas sete debaixo de uma chuvinha fina, equipados com macacões impermeáveis. O primeiro sufoco acontece, percebo que a gasolina está se acabando e o próximo posto está abandonado. Mais um... idem. Combustível por um fio, começo a planejar como pedir para alguém me rebocar ou como pedir uma carona até o próximo posto. Olhando até o horizonte não se divisa nenhum sinal de civilização, oro a Deus para que não me desampare e Ele se revela o Fiel de quem fala a Bíblia, ao final de uma íngreme subida avisto um posto, o combustível acaba naquele exato instante... Com uma alegria infantil pego uma garrafa de refrigerante que havíamos enchido de água para beber, esvazio-a e ando até a bomba para trazer o combustível que levaria Black Trekker até o abastecimento. Nessa abastecida verifico que o consumo não se alterou, permanece 10km/l, o frentista do posto me adverte para um vazamento de óleo e após verificar constato que é do câmbio. Mais oficina, desta vez para trocar a coifa da transmissão. Dormimos em Pontes e Lacerda, no MT (pela previsão deveríamos ter ido até Cáceres, uns 250km à frente). O preço dos hotéis está pela hora da morte (R$ 40,00 por casal), conseguimos um em frente à Rodoviária por 30,00. À noite assisto o show do Roberto.

22 de dezembro.
Mais uma parada em oficina, não me conformo com o consumo: um motor 1300cc que leva um fusca, deveria gastar muito menos para levar um triciclo que é muito mais leve. Descobrimos uma vela frouxa, é necessário um adaptador para reparar a rosca espanada. Ajusta daqui, aperta lá e outra vez a garantia de melhorar, partimos lá pelas 11 da manhã. A viagem tem sido agradável até agora; belas paisagens, vento na cara, sensação de liberdade, um barato... Onde quer que passamos despertamos a atenção de todos, “puxa nunca tinha visto uma moto dessas... deve ser gostoso andar “nisso”... muito bonita... é caro?”.
Andamos até Jaciara, uns 200km depois de Cuiabá. Procurar hotéis já está se tornando uma rotina o preço continua 40,00. Dormimos no Hotel Toquinho, ótimo, fica resolvido que na volta dormiremos ali de novo e que visitaremos a cidade de Dom Aquino (uma antiga vontade não realizada ainda) que fica a uns 20km de Jaciara.

23 de dezembro.
Andamos o dia todo, decido não me incomodar com o consumo por enquanto e aproveito a viagem. Sem chuvas pelo caminho, a paisagem do MT neste ponto é muito agradável, plantações de soja até onde a vista alcança, este nosso Brasil é um gigante mesmo. A partir de Cuiabá começamos a encontrar tráfego de carretas e a atenção ao trânsito redobra. Não é fácil andar com uma fila de até 10 carretas à frente, a adrenalina atinge níveis estratosféricos nas ultrapassagens mas o “Black Trekker” (Viajante Negro de Jornadas Longas e Difíceis, nome que decido aplicar a partir de agora ao triciclo) revela-se um guerreiro audaz e eficiente. A rodovia, a partir de Cuiabá, tem um trilho formado pela rodas das carretas que deixa a estrada com dois sulcos em cada faixa, isso torna extremamente difícil a condução deste tipo de veículo pois as rodas traseiras acomodam-se uma em cada sulco e a dianteira fica oscilando entre um e outro comprometendo enormemente a estabilidade. Com a ajuda do Todo Poderoso, aos poucos, vou me adaptando e pegando jeito. As ultrapassagens começam a ficar mais “emocionantes” para dizer pouco. Dormimos em Nova Alvorada no MS onde chegamos à noite por volta das 2100h, depois de um terrível susto quando, ao aproximar de uma ponte a uns 100Km/h Black Trekker oscila violentamente nos sulcos da estrada e só por Deus não caímos no rio. O hotel é um velho conhecido de velho tempos mas o preço já chegou aos novos.

24 de dezembro.
Véspera de Natal e Sábado, vamos à igreja (somos Adventistas do Sétimo Dia). À tarde continuo a viagem com a decisão de chegar a Foz do Iguaçu ainda a tempo de celebrar o Natal com a família. Chegamos a Guairá, divisa do MS com o PR, lá pelas 6 da tarde e descobrimos que o pior trecho da viagem iria começar. O trecho Guairá/Marechal Rondon de apenas 60km está completamente destruído e a travessia leva mais de duas horas. É nesse ponto que resolvo batizar o triciclo de Black Trekker. A palavra “trek” significa viagem longa e difícil e ele se mostra mais uma vez muito eficiente. Chegamos a Mal. Rondon lá pelas 9 da noite e a dificuldade agora é arranjar combustível, todos os postos estão fechados. Andamos até Santa Helena onde finalmente encontramos um posto 24h. abasteço, conserto o fusível da iluminação traseira e parto para a última etapa, são dez da noite. Passo pelo pedágio às onze e fico furioso ao ser cobrado preço de automóvel.
Chegamos à casa de meu sogro às 11:30, a família reunida, uma alegria só, nossa chegada acaba se tornando uma festa a mais. Aí em baixo a primeira foto da jornada, tirada logo ao chegar com a câmera de meu cunhado, essa aí é a mulher dele, a outra é a mulher de um sobrinho.




Continuarei postando mais detalhes da viagem nas próxima horas, a partir de agora com fotos.

janeiro 14, 2006

Aguardem

Atenção pessoal que está esperando as notícias de minha última viagem, aguardem para as próximas horas enquanto me organizo.Acabei de chegar em Porto Velho e logo começarei a postar textos e imagens.